O segundo tripé: Ação, Pensamento, Sentimento
Se você observar detidamente as correntes téoricas e terapêuticas em Psicologia, chegará à conclusão de que a diferença fundamental entre todas elas está na ênfase em que cada uma confere a um dos elementos deste segundo tripé.
A psicanálise dirige sua intervenção ao pensamento. A corrente comportamental, à ação. As terapias alternativas e introspectivas, ao sentimento.
Em última análise, o objetivo de todas elas é agir sobre o terceiro pé: o sentimento. As pessoas chegam aos consultórios de terapias sentindo-se mal, movidas pelo desejo de sentir-se bem.
O método para intervir sobre os sentimentos varia. Há muita discussão sobre qual é o “melhor” método, o mais eficaz, mas nem sempre essa discussão é coloca em primeiro plano o bem-estar do paciente. Há muita rivalidade teórica que é mais facilmente explicada e entendida no contexto da competição econômica – cada paciente de psicanálise a mais é um paciente de terapia comportamental a menos, e vice-versa – do que da discussão séria do fato científico.
Não ganho nada de ninguém com este blog. Sequer adicionei aqueles anúncios, tão freqüentes na blogosfera. Portanto, não posso ser acusado de privilegiar isso ou aquilo em detrimento de seus interesses… Porque não o farei!
O meu ponto-de-vista é o de que cada corrente teórica em psicologia, incluindo as rivalidades internas a cada corrente (psicanalistas freudianos não suportam os junguianos), enxergou um pedaço da realidade. Como naquela célebre história dos filósofos cegos que apalparam partes diferentes de um elefante e discutiam se o objeto apalpado era uma cobra, um tronco ou uma pedra, assim fizeram, e ainda fazem, os psicólogos em sua busca pelo entendimento da psique humana.
De fato, não se pode separar os seus sentimentos de seus pensamentos e ações. Se você quer mudar um deles, precisa intervir sobre os três.
Veja o caso do paciente depressivo. Ele se sente triste, portanto, seus pensamentos são tristes, portanto, seu comportamento é triste, portanto, ele se sente mais triste ainda, num ciclo vicioso que precisa ser detido para não piorar indefinidamente.
Tanto faz, no caso, o que veio primeiro: se foi a ação, o pensamento ou sentimento. O resultado final, independentemente da seqüência, é um bloco psíquico de ação-sentimento-pensamento.
Isso a que chamamos “bloco psíquico” explica a dificuldade das terapias para lidar com todos os perfis de pacientes. Algumas pessoas, respondem melhor a um tipo de intervenção do que outras e é nesse momento que todo chauvinismo teórico se torna nocivo ao paciente.
Portanto, você precisa se perguntar, em sua busca pela auto-confiança, o que precisa fazer em cada uma dessas esferas do segundo tripé. Mudar os pensamentos é essencial, mas não o suficiente. Você precisa agir em coerência com eses novos pensamentos. Ao fazê-lo, você desafiará sentimentos ancestrais, que emergirão sob a forma de angústia, ansiedade, medo, tentando evitar a mudança de hábitos, a mudança na rotina de seu segundo tripé.
Assim, permito-me recomendar uma abordagem gradativa. Tente modificar apenas uma coisa de cada vez. Talvez você precise se obrigar a sorrir e a olhar nos rostos das pessoas quando conversar com elas. Na primeira etapa, experimente apenas a olhar para os rostos, por exemplo. Repare nos sentimentos emergentes e não os ignore. Deixe que eles fluam livremente. Caso a ansiedade fique muito forte, descanse – digamos, abaixe os olhos, caso seu objetivo seja educar seu olhar. Em vez de condenar-se pelo seu “fracasso”, pense que você conseguiu hoje por 5 segundos o que ontem achava tão difícil. Amanhã conseguirá olhar para o rosto do seu interlocutor por 10 segundos em vez de apenas 5. Em três semanas, já terá adquirido um novo hábito e você terá mudado o bloco por inteiro. Passe então ao segundo objetivo: sorrir.
De meta em meta, usando o método gradativo você progredirá mais em seis meses do que nos seis anos anteriores. Se tiver ajuda profissional para determinar as metas a perseguir e avaliar seus progressos, tanto melhor. Se não, poderá ajudar-se muito e conquistará o primeiro grau na escada da autoconfiança: você vai começar a acreditar – porque terá visto o resultado prático – na própria capacidade de mudar para melhor e sentir-se realmente autoconfiante.












